11 maio 2010

In Reflexão do Alterego Inexistente - Capitulo 02


Então tu pensas que pode alcançar algum lugar glorioso com apenas essa tua besta língua de serpente? A gloria é um falso espirito estrondoso meu caro, apenas isso e nada mais, nada além do que você possa imaginar. Pura fantasia, alienação do estado que costuma chamar de espirito. É isso que o faz contentar-se? E por onde anda a verdade que tanto lhe faz crer que não é vulgarmente um bicho irreal?

- Você ainda não entendeu impudico amaldiçoado! Eu sou o que preciso ser nas horas em que me encontro frente à vida. Sou estes pés e mãos atadas durante a peleja que mede o tempestuoso e submisso tempo. Quanto a ti, nada tenho a oferecer em formas aritméticas de veneração. É sim um corrompido enclausurado numa verdade surrealista que teme tanto quanto os filhos que tu deixaste em outras batalhas.

Tenho pena de ti ser inexistente, muita pena. O que te faz pensar? O que lhe dá direito de mover sob ou sobre a face desse satélite que pensas lhe pertencer? Vê ali aqueles indigestos mortais pútridos sob o próprio suor? São escravos construindo a torre do teu juízo final. Ali tuas crenças e todas as cenas que compõem esse inútil pedaço de pergaminho que chamas de vida serão capturadas e reveladas enquanto seu transe se faz presente. Ri de minha profecia agora, inútil cagalhão de merda! Gargalhe com veracidade e diz que ainda acredita ser um pequeno pedaço de barro.

- Demônio! Nefasto incumbido de distribuir a demência entre o povo desta terra! É o que tu és a troco de que? Ali repousarão com suas famílias, estirpes como a minha e que serão felizes enquanto vida jamais se depararem com tua laia. Não me afliges mais, é inconcebível acreditar em tuas palavras, por maior que seja o teor da duvida que carrego sobre tal segredo, não tenho por direito sentir-se amedrontado de continuar pensando. Aquilo é um mero edifício, uma moradia vertical repousada sobre a condição da bondade de Deus.

Gloria! Gloria! Exalto-te cagalhão estúpido. Como ainda não consegues admitir o que realmente vê? Como negas a visão do que canto em teus ouvidos nesta prosa? Diz não flertar com o medo? Diz-me ainda que não se borra nas noites que a duvida lhe aplaca? Eu sei da tua vida triste cagalhão. Eu vivo precisamente, no mesmo instante em que estou no pé de teu ouvido esquerdo declamo meus cânticos no direito. Eu vejo teu medo, é real assim como tua inexistência também é real.

Olhe para mim cagalhão! Vai continuar a me negar? Vai insistir em permitir que lhe atormente pela eternidade da tua inexistência? O que você vê alem daquilo que queres enxergar? Diz-me sobre as cores e coisas que somente você quer e pode enxergar. Pelo o que amou? Quantas foram tuas noites lascivas entre os desejos perturbadores de tuas vaidades? Olhe para mim, não desvie teu pensamento nem por um segundo sequer, olhe para mim e assista minha garganta balbuciar o extremo da vida que insiste em não existir. Vou observar enquanto a urina escorre entre tuas pernas alucinando o medo da descoberta. Vou observar e apenas observar.

- Não faça isso comigo, seja lá quem for da tua alma. Dessa lama que insistes para que eu navegue não posso embarcar, não posso mais tentar olhar para você, admito talvez esse medo, mas sejas temporão comigo. Preciso não acreditar nessas bobagens. E quanto às musicas que deliciam minhas tardes? E quanto aos meus dedos que transformam um pequeno instante de segundo em acordes melódicos? É agradável, tímido porem agradáveis. Como as noites em que amo a mulher dos meus sonhos.

Não posso vagamente ser uma fagulha única de um átomo do nada. Quero ser infinito, quero ser enquanto existo esse eu que sente o apavoro do medo e do amor pelas coisas banais. Eu sinto o ar entrar pelas narinas assim como sinto tua presença nefasta ecoar em meus olhos. Apenas peço, vai-te embora sem que haja ressentimentos entre nosso espirito.

4 comentários:

erikissima!! disse...

Caceta! Gostei absurdamente, andou tomando o que pra escrever isso? Viagem total!

É inegável que você tem o "dom", mais um entre tantos outros que você tem.

E então? Ele se foi ou continuou tentando "tentar" o pobre "cagalhão"?

bjos

TE AMO!

Tascio disse...

belo texto...faz parar e refletir um pouco sobre as coisas...gostei mto tbm! certeza que vc tem um dom especial para escrever coisas tão viajantes, mas q ao mesmo tempo tem mta realidade!

karina de lima disse...

você escreve de um jeito diferente que nos faz refletir , parabéns

http://blogdakarinadelima.blogspot.com

Paty disse...

não achei o alterego inexistente, não foi o que pareceu...sem o superego o homem não se comportaria em sociedade.