20 outubro 2010

DESCULPEM-ME


Desculpem-me mas eu estou em outra. Eu quero sair peladão pelas ruas de pau duro, quero vagar de cidade em cidade, pais em pais, planeta em planeta. Eu quero me suicidar pra renascer do caixao no meio do velório a gargalhadas, quero matar muito opositor, sequestrar muito embaixador ter ulcera, orgasmos, comer merda e viver.

Eu quero tudo isso meu caro para desgosto e incompreensão de vocês mas não se preocupem tanto pois apenas quero e vou continuar querendo como aquele moleque que ficava chorando porque papai Noel não trouxe uma piscina com ondas no natal.


Eu estou falando serio que eu sou serio.

Eu juro por Deus que eu sou Deus.

Eu juro pela minha mãe mortinha que eu sou minha mãe mortinha.

Eu sou eu, sim infelizmente sou eu, quem me dera eu fosse tu ou qualquer outro mas não, sou eu sim e pra mim e muito pouco se ao menos eu fizesse uma plástica cerebral, fosse uma planta um animal, uma pedra ou qualquer coisa menos eu.

A minha grande frustração foi descobrir que não sou Deus foi descobrir que eu sou eu.

Nós. poetas é que não passamos de uma estirpe. Nós estamos longe de ser universais, a gente depende da humanidade, sim a humanidade, essa grande merda-mor este grupo de semêns que vivem de canalizar suas forças para baixo.

Nós matéria, somos obstáculos para desestabilizar o vácuo. Deixar a almagenidade absoluta irada. Viemos como anormais para tirar paz do que era paz e pagamos um preço muito caro por isso.

Podre é o universo porque eu não sou assim sozinho. Eu sou inlfuido, induzido a ser assim. Apenas vivo seguindo com meu código genético.

Podre são os meus pais e os teus pais e os pais deles e mais todo mundo que já contribuiu para a existência de qualquer coisa. Podre é o universo e eu sou apenas a consequência.

Sentindo a natureza fluindo na pele.

Sentindo o sangue correndo atrás de algo muito mais supremo que a vida.

Sentindo a ferida de saber que vai morrer um dia e que vamos ter menos do que um grão de poeira no óleo de um dos infinitos parafusos desta maquina chamada existência.

Sabendo que nunca vamos saber nada e que mesmo assim isso não é motivo de suicídio nem que fosse um suicídio coletivo, Deus naõ reconheceria a greve, estamos breves.

Esta vida fanha, fraqueza tamanha de quem não consegue falar direito.

Esta vida peito que a gente suga e xinga.

Esta vida pinga que a gente quer fugir de qualquer jeito mas esta viciado ao máximo.

Não sei se choro ou choro.

Não sei se me distorço de choro ou morro pedindo socorro. Não sei se corro de carro ou a pé.

Não sei se fujo do mundo ou se caio nele do alto de um prédio. Não sei se continuo tomando remédio.

Não se se paro para pensar ou se corro pra sentir ou se sigo o meu rumo e fico no meu canto como um bom trabalhador.

Correndo de um lado pro outro num quarto de quatro metros quadrados ate tropeçar no sapato e bater com a cabeça na parede, criando um galo e parando e se encolhendo num canto e chorando misturando lágrimas com sangue que escorre na testa, testando ate que ponto o absurdo pode alcançar, alcançando o ponto limite forçando a barra ate ela derreter de saturação.

Aquela hora em que o grande vazio é ocupado pelas bolhas de espuma que saem da boca. O auge do auge, o ponto-monstro, o clímax do anti-orgasmo gozando no meu olho.

Nenhum comentário: