07 novembro 2010

Calor

Chuva escorrendo feito fios de navalha em meu corpo, calor.
Chuva estampando como flores meu pudor, calor.

Calor
Navalha
Pudor

Fios de cabelos pela casa, espalhados e flutuantes como se fossem germes ou vermes.
Calor, sacrificio do odor expelido naquela mente ausente de coisas impraticavéis.

Insaciavél desejo de não permanecer ali e sim numa lacuna vazia de possibilidades. Maquiavélico boneco-propaganda Maquiavél desfilando e cantarolando debruçado sobre o balcão do bar.

Meia noite dentro de um copo long-drink enquanto jazz o contra-baixo. Desafino meus ouvidos para poder sentir o calor e não mais saber sobre o que se passa entre um ponto e outro do infinito que circunda minhas palpebras.

A razão do calor presente unanime é exacerbar, futurar, desconstruir descomunalmente toda e qualquer sociedade ilicita de razões.

Deixe isso tudo ai, calor, navalha e pudor. E quando resolver querer saber a verdadeira punição que lhe foi destinada, dê dois passos falsos para trás e beba num unico instante o que sobrou da noite. Se deixe cair e finja tua epilepsia enquanto teus olhos semi-abertos observa todo redor e os olhares calçados de repudio pela febre que causa tua pré-existência calorosa.

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