19 fevereiro 2011

Barulho


O barulho das águas é tão infinito quanto aflito.

Em dias em que somos calor, nos tornamos excentricamente vapor.

Enquanto que o beijo é armazenado em cápsulas num invólucro de tesão.

E o gosto do meu corpo se iguala a salmoura que tu compõe sobre minha pele.

Essa pele fraca, fétida de amor e ódio de vinho e vinagre.

Nosso calabouço onde repousam pobres refúgios que regurgitam sementes de amor e ódio.

Onde o carrasco sexo trepa sobre nossas ancas extirpando a fundo nosso fôlego.

Pedindo, exclamando suspiros, desejando gemidos e implorando um minuto mais.

Cada gota que escorre da nuca e morre em minhas costas são memórias.

Lembranças do calor que sucumbe e se transforma no vapor do teu inferno-corpo.

Meu copo vazio de sede, meu corpo esgotado da noite passada.

Nossa vida imaginaria é ilusória.

Como se pudesse ouvir o som das águas.

Como se pudesse ouvir o som das drogas.

Aquele barulhinho bom que só os ouvidos podem decantar de um lado para outro.

Um barulhinho porreta que só aumenta o desejo de nunca mais ouvir o mundo, de nunca mais a morte.

Num segundo ser o fast-food do prazer e nunca mais o medo.

Num segundo, por um único instante ser o barulho infinito e aflito das águas.

Um comentário:

FILIPE.MACIEL disse...

Lindo o seu texto!
Tu escreve bem pra caralho!
Parabéns e sucesso!