12 março 2013

Dinheiro


Dinheiro não é o de menos nem o de muitos. Resolveria boa parte da minha vida se pudesse transformar um rolo de primavera em outro com 100 metros do gaúcho impresso. Não é pelo carro nem pela torneira moribunda. Não me preocupa o rasgo na calça e muito menos o sofá delineando a minha bunda. A carne o pão e a pinga nunca irão faltar. São os sonhos e as consequências da realidade que tiram o sono. É aquela velha sensação que se tem, raríssimas vezes, de poder planejar e gastar o metal com algo inútil ou não. É sentar na beira do mar e poder ter uma prosa sincera com o por do sol. Abrir uma embalagem de sorvete sem se culpar.

Dinheiro é o de menos, se aventurar, atingir o ápice colecionando tuperwares promocionais, tomar uma kaiser num copo de requeijão ou ver tua mulher fazendo das tripas coração para alimentar sua garrafa de esperança. Falta muito ainda para a pobreza sem-vergonha bater a porta, porém já destes ares, respirei o suficiente pra ter certeza do quanto imbecil e mal vivido é o infeliz que acabou de dizer o quanto dinheiro é o de menos. De menos para ele que não sente prazer em ter prazer em coisas não superficiais.  Neste momento queria muito olhar pra ele e dizer:

-Vá, seu filho da puta, carregar um botijão de gás nas costas!

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